quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

QUARESMA!

A Quaresma é o “tempo favorável” para a redescoberta e aprofundamento do autêntico “discípulo de Cristo”. Não se conhece Jesus estando “do lado de fora”, mas através da partilha da vida: “se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga” (Mc 8, 34). A conversão cristã, a metanóia evangélica, não é simplesmente uma conversão moral (embora a exija), mas é conversão para Deus, como se revela nas escolhas messiânicas de Cristo (Conf. Mt 4, 1-11), pois do contrario, não se pensa segundo Deus, mas segundo os homens ( Conf. Mt 16, 21-23).

Consequentemente, no plano da vida, exigi-se “aquela mudança íntima e radical pela qual o homem começa a pensar, a julgar e reordenar a sua vida, movido pela santidade e bondade de Deus, como se manifestou e nos foi dada em plenitude no seu filho” (Constituição Apostólica Poenitemini, 17 de fevereiro de 1966, ASS 58 (1966), p.119.).

Na Mensagem anual para a Quaresma, o Santo Padre, o Papa Bento XVI, nos propõe o texto da Carta aos Hebreus: “prestamos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Hb 10, 24). “o fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor com um ‘coração sincero, com a plena segurança da fé’ (V. 22), de conservarmos firmemente ‘a profissão da nossa esperança’ (V. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, ‘ o amor e as boas obras’ (V. 24)”.

O Papa se detém no versículo 24 do texto sagrado, no qual nos leva a refletir sobre três pontos: a responsabilidade pelo irmão, o dom da reciprocidade e o caminhar juntos na santidade.

“Irmãos e irmãs, a Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito, este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal”.

A Quaresma torna-se, então, escola vital de purificação e iluminação, pois se vive as palavras de Jesus: “convertam-se ao Evangelho” (Mt 1,15). Assim, o cristão vive continuamente o processo de conversão, que tem como principio o Espírito de Cristo recebido no batismo, “perdendo a própria vida por causa do Evangelho” (Conf. Mc 8, 35).

“Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Hb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica”.

Pe. Edson Costa Galvão

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